Bodhigaya, Varanasi, Mathura & Vrindavan

•February 17, 2010 • Leave a Comment

Bodhigaya eh uma cidadezinha das mais quietas que vi na India. Imagens do Buddha em toda parte e muito louvor ao iluminado mais famoso de todos os tempos. Muitos monges vivem lah e ha varios monasterios de paises e diferentes linhagens. A cor predominante, ao inves do laranja hindu, eh o vermelho vinho, que tem a mesma tonalidade dos robes maroon usados no Resort do Osho. O templo de Mahabodhi eh lindo e ao redor dele ha um jardim, estupas e muitas imagens, e muitas pessoas vao lah para ficar dias e dias meditando e fazendo saudacoes. Ha tambem a arvore que descende da arvore Boddhi original embaixo da qual Gautama chegou `a mais perfeita realizacao do seu ser e ateh hoje inspira milhoes de pessoas. Lah em Bodhigaya eu e Azul fomos acompanhados por um rapaz local muito gente boa, bonzinho, bonzinho, chamado Dinu, que nos ajudou desde o primeiro dia a achar pousada ateh a hora da saida, marcando com um rapaz da mesma vila que ele para nos levar de madrugada `a estacao de trens de Gaya para voltar a Varanasi e seguir no mesmo dia para Mathura. A simplicidade da India eh algo indescritivel… Dinu me pediu ajuda para estudar pois quer ser guia turistico e estudar espanhol, mas nao tem dinheiro para faculdade. Seu pai eh jardineiro no parque de meditacao anexo ao templo Mahabodhi e sua mae eh dona de casa, enquanto ele estah estudando o quanto pode e fazendo bicos para tirar algum trocado, alem de ajudar num dos projeto de assistencialismo que rolam lah na cidade.

Enfim, Namaskar, Dinu, Danyevad!

A viagem para Varanasi foi tranquila depois de um perrengue para encontrar o sleeper certo. Em Varanasi, deu tempo exatamente para ir ao museu na Benares Hindu University e voltar `a estacao para pegar o trem seguinte. O museu eh muito bonito e tem obras incriveis, entao deu pouco tempo pra ver bem as colecoes. Deu pra tirar algumas fotos antes de a minha bateria acabar – nao imaginava que poderia usar a camera lah, eh pouco comum isso ser permitido em museus.

A vinda pra Mathura foi em grande estilo ferroviario, na classe 2AC, ou seja, 2 sleepers verticalmente ao inves dos 3 habituais na classe sleeper geral, mais algumas facilidades e mordomias. Mathura, cidade onde eh dito que Krishna nasceu, a principio nao eh uma cidade muito bela ou atraente. Confusa e barulhenta como as cidades indianas em geral, e um pouco cara, em termos de acomodacao. Estamos ficando aqui para podermos acordar amanha cedo e ir para Agra passar o dia.

Hoje cheguei aqui com Azul e depois de deixarmos as coisas numa guesthouse e tomar uma chuveirada fomos para Vrindavan. Eh um lugar curioso, o principal santuario de Krishna na India. Eu imaginava algo mais bucolico. Mas eh relativamente calmo, tambem, e interessante. Ha muitos templos na cidade, dos quais conheci 3. Eh uma cidade com bastante pobreza tambem, muita gente pedindo esmola. E macacos por toda parte. Detalhes incriveis nos templos, estatuas e ornamentos em geral.

Amanha, ultima cidade antes dos 2 dias finais em Delhi. Verei o Taj Mahal e talvez alguns outros pontos. Eh bom estar nesses pontos altamente turisticos acompanhado, Agra em particular, pois dizem que eh um tanto desesperadora a quantidade de gente querendo tirar algum proveito da sua visita.

Fotos em breve, acho que em Delhi terei tempo para embelezar esse blog um tanto arido nos ultimos tempos.

Namaste!

Mahasivaratri & Sarnath

•February 13, 2010 • 1 Comment

O dia de festival comecou com um passeio de barco pelo Ganges ateh o crematorio depois do Ghat principal. Tivemos sorte de parar quase no exato momento em que comecou a cair uma chuva que chegou a ficar densa e persistente. A temperatura caiu bastante, e a luz do dia foi opaca e escurecida. O passeio foi belo, com todas as imagens tipicas pela qual Varanasi eh conhecida, os banhos no Ganges, mulheres lavando roupa, rituais variados, muita gente, muitos barcos.

O ambiente no crematorio nao eh pesado. Um senhor nos recebeu bem e nos levou para baixo de um toldo, explicando o que acontece lah e tambem que bem junto a esse Ghat fica uma casa para idosos que estao esperando a forca inevitavel da natureza acontecer para serem cremados em solo auspicioso e libertarem-se da roda da vida e da morte. Ficamos depois tomando chai um tempao num stand que atende os envolvidos nas atividades. Chai numa cumbuca de argila que soh eh utilizada uma vez e depois eh quebrada.

A chuva foi renitente durante o dia. As ruas ficaram enlameadas, um mar de lama.

O Mahasivaratri foi para mim como um carnaval aqui em Varanasi. A cidade estava agitada, cheia e sonora (de uma forma ateh mesmo gritante), com caixas de som nas ruas, desfiles, pequenas aglomeracoes com tambores, homens, rapazes e meninos dancando freneticamente, intensa atividade pra lah e pra cah. Tristemente, no entanto, nao pude entrar com Azul em nenhum templo e nao conseguimos informacao sobre como aproveitar o Sivaratri cantando ou em algum lugar mais espiritual. Acho que teria sido bom. Foi uma noite de muitas luzes, estrondos e figuras curiosissimas.

Hoje visitamos Sarnath, o lugar onde Buda proferiu seus primeiros ensinamentos. Belo e calmo lugar, foi um alento para os sentidos cansados das andancas pelos becos, pessoas, buzinas, caixas de som, lama e luzes.

Amanha irei com Azul para Bodhigaya, onde lorde Buda se iluminou, para depois fazer o caminho de volta a Delhi e ao Rio.

Danyavad, Varanasi!

Bolenat, Varanasi!

•February 11, 2010 • Leave a Comment

Ah, que maravilha estar aqui e nao ter desistido de vir.

Amanha eh o Sivaratri, festival em homenagem e devocao a lorde Siva, Bolenat, o agente da transformacao.

Vim para Varanasi de trem, a viagem nao poderia ter sido mais tranquila e a chegada idem. Estou em um hotelzinho simpatico perto da mae Ganga, bem acompanhado por uma adoravel argentina que conheci na estacao de Delhi vindo para cah. Ela se chama Azul, mas eh um nome “fantasia”.

Chegamos hoje, descansamos um pouco no hotel e fomos passear um pouco ao longo dos Ghats, `a beira do Ganges. Que, por sinal, eh bem escuro aqui, e nao cheira bem mesmo… Muita gente realmente toma banho, se benze, lava roupas, leva criancas para rituais de iniciacao. `A noitinha acontece um Arati espetaculoso no Ghat principal, com musica ao vivo e varios rapazes executando as etapas.

Muitos rapazes e homens, volta e meia nao muito distintos, puxando assunto ao longo dos Ghats para tentar vender algo (de roupas a haxixe), fazer de guia e talvez fazer ateh coisa pior. Nem todos na vibracao de Siva… Muita gente aqui, eu estava lendo hoje que o censo de 2001 apontava mais de 3 milhoes de habitantes. Varanasi se extende, acho eu, bem adentro partindo das margens do Ganges, que eh onde se concentra a maior parte das atividades turisticas, hoteis e comercio.

Tenho sentido que fotos falam mais do que palavras, e na verdade muitas coisas acontecem e nada “demais” acontece, exceto pelo fato de que aqui nada demais eh algo bem significativo. Pouco tempo pra postar as fotos… Nem trouxe, na verdade, meu micro para cah, acabei deixando em Delhi para viajar o mais leve possivel. Estou satisfeito, foi o melhor que poderia ter feito.

Ainda nao sei o proximo passo da viagem. Pode ser que resolva ir a Rishikesh, mas tambem pode ser que fique mais aqui, ou mesmo vah para Delhi olhar algumas outras coisas lah por perto e ter mais tempo para finalizar tranquilamente a viagem.

Enfim, tudo se transforma. Amanha eh o Mahasivaratri… Om Namah Sivaya, Bolenat!

Poosh Kar

•February 8, 2010 • 1 Comment

Pushkar é um delirio.

Essa cidadezinha aqui realmente faz jus a um ideal de viagem com boas vibes, tranquilidade, pessoas das mais variadas formas, cores e credos e um contato sutil, que pode ser evitado se o caso for um animo mais meditativo.

Fato é que estou adorando Pushkar, suas ruazinhas apinhadas de movimento, comidas e comércio, as pessoas, os cenários, as comidas, os encontros, as montanhas. E adorei a nesga de deserto que vi hoje, ao sair da cidade montado em Raja, o camêlo da agencia do capitão Ramu, uma figura muito gente boa que me recebeu muito bem em sua casa para um chá.

Deepak, G & Ganesh

Lovely Gita

Amanhã eh meu ultimo dia aqui, de volta à civilização em um sleeper bus para Delhi, seguindo no mesmo dia para Varanasi, mas tendo tempo para deixar tranqueiras adquiridas pelo caminho na casa da Mony.

As experiências que têm acontecido aqui são várias e intensas, por isso nem mesmo consigo elucubrar muito a respeito.

Cito apenas duas: ontem, a visita a um mago da cidade que me foi apresentado por um neo-zeolandês gente-boa que conheci no thali restaurant, e hoje, a visita ao acampamento dos ciganos nos arredores.

Sony, o mago, é uma figura raríssima, shivaísta mas totalmente open minded, com uma faceta mística. Sentamos com ele em uma salinha hiperdecorada, cheia de imagens, quadros variados, panos, frascos, objetos de memorabilia, um caleidoscópio de sensações. Bebemos um chá, ouvimos ótimas estórias e fiquei de voltar lá, mas acabei me atrasando. Tentarei encontrá-lo amanhã ainda.

A visita aos ciganos foi acontecendo como um fluxo, depois da volta do camel safari. A princípio, estive distante, mas depois acabei aproveitando um contato muito caloroso. A moça que me “conquistou” chama-se Gita, uma bela mulher de 20 anos que parece ter mais pela vida sofrida que leva nas ruas. Acabamos combinando uma apresentação de dança com música. Ela e outras 4 mulheres dançaram ao sol do jangomango e tambores. Foi bem especial estar ali no acampamento sentado com eles, mulheres e homens, e com as crianças, várias, sempre em volta e olhando a câmera e fazendo brincadeiras e caretas…

Gita me fez prometer encontrá-la amanhã às 11. Amanhã ainda preciso ir ao templo de Brahma e ver alguma cidadezinha. Talvez alugue uma moto para me mexer mais rápido.

Bolinat, Om Namah Shivaya!

Ahmedabad

•February 4, 2010 • 2 Comments

A viagem com Eliza e Tiago está sendo com o dia inteiro fora do hotel, sem tempo pra atualizar blog. Estou tirando fotos, mas cadê o tempo pra tratar e postar? Fora a função de achar uma internet legal…

Em Cochin não rolou. Aqui em Ahmedabad está até rolando, mas temos passado os dias fora, mesmo, e não escrevi ainda nada sobre o feeling da cidade. Tenho é passeado por aqui e comprado um monte. Essa função, para o objetivo de revender, terminou. Achei coisas muito legais por aqui que estou levando, ou melhor, enviando – porque carregar bagagem é um saco aqui na Índia.

Agora estou na reta final da viagem, ainda restam 2 semanas, que precisam ser bem gastas. Minha meta é passar rapidamente por Jaipur e depois rumar para Varanasi. Eliza e Tiago têm planos similares, mas não sei se conseguiremos manter a equipe, pois eles têm mais tempo pra fazer o que querem. Enfim, está chegando a hora…

Vou ficando por aqui, pois já está tarde no subcontinente, e ainda preciso jantar no Cemitério. Ehehehe… Só para finalizar, detalhe interessante da estada aqui em Ahmedabad: achamos um restaurante bem legal que têm um monte de túmulos de mais de 300 anos dentro, além de algumas árvores. É vegetariano (acho que um menu com carne seria desaconselhável dado o contexto), bem simpático, apesar de tudo, e com preço razoável. Om namah Shivaya!

Kochin – 31.01

•February 2, 2010 • Leave a Comment

O final do dia 29 foi ver o pôr do sol no mar – que estava lindo – antes de pegar o ônibus da volta ao hotel, antes da janta passar minhas fotos para Nanna e pegar as fotos dela, ir jantar e se preparar para ir dormir. O jantar foi no restaurante que acabamos mais frequentando em Kanyakumari, Hotel Saranavana. A propósito, Tiago e Eliza passaram pela situação de perguntar por quarto em um restaurante que tinha essa curiosa designação na fachada. Fato é que, aqui no sul da Índia, muitos restaurantes atendem pelo título de hotel, e alguns até têm quartos, mas a maior parte só serve comida mesmo. Outros nomes possíveis para hotel de quarto por aqui são: lodge ou lodging, guesthouse e hostel.

A despedida de Nanna começou à noite, na hora de dar boa noite, e continuou na manhã seguinte, quando essa linda e doce dinamarquesa de olhos celestes foi pegar seu ônibus de volta a Trivandrum para então pegar um vôo, não estou bem certo para onde, mas pode até ser que nos encontremos ainda no Rajastão, pois chegamos à conclusão de que estaremos no mesmo dia em Jaipur. Um amor, a querida Nanna, com seu jeitinho de menina que cativa e quer cativar o mundo inteiro. Uma amiga muito especial feita nessa viagem de belos encontros.

Dormi até o meio da manhã e fui acordado pela Agi, que estava também se preparando para voltar a Trivandrum. Tiago e Eliza tinham saído. Fomos comer algo e depois procurá-los. Nos encontramos na rua, e foi só o tempo de acompanharmos com calma Agi à estação de ônibus, perto do nosso hotel TriSea. Na estação vazia, um rebanho de cabras descansava numa calçada perto da entrada dos ônibus. Ficamos proseando até a hora chegar. É claro que alguns indianos se achegaram e puxaram alguma conversa, mas o grupinho de viagem é que permaneceu mais conectado. Lá pelas tantas deu a hora e Agi se despediu, emocionada. Forte ma non troppo, Agnes, norte-americana da Alemanha que deu um chão ao nosso grupo de perambulantes astrais de Vata pronunciado. Antes, ainda no hotel, trocamos contatos e ficamos, eu e o casal brasileiro, xavecando nossa querida amiga para ir nos visitar em terras tupiniquins. Ela, que confessou em outro momento não saber muito bem onde ficava o Brasil ou mesmo sua dimensão, se mostrou muito tentada, depois de todas as informalções, descrições e histórias que contamos pra ela. Gente boa toda vida… Entrou no ônibus e já fez amizade com quase meia dúzia de indianas que também iam viajar.

Agi deve estar numa hora dessas já em sua expedição a algum lugar mais isolado e tranquilo das matas e backwaters do Kerala, junto com Nicolle – de quem não falei muito, mas mostrou-se muito simpática e acessível -, nossa colega coreana do curso que estava em outra turma, junto com Purnima, de quem já falei, e Cathy e Devin, mãe e filha do Canadá. Nicolle inclusive deu aulas de Ashtanga Yoga para quem se dispusesse a acordar às 7:00 e participou dos treinos de capoeira que Tiago conduziu, além de cantar mantras conosco ao final da tarde.

O passeio desse dia 30 foi ali na praia do centrinho de Kanyakumari mesmo. Duas ruas que vão dar no mar são bem cheias de comércio, lanchonetes e restaurantes. As atrações turísticas maiores são duas, que ficam na mesma ilhota a uns 200 metros de distância, e a grande estátua do poeta nativo, que fica em outra ilhota ao lado. São elas: o templo construído em torno do pé em relevo que acredita-se ser da própria deusa Kumari (uma das representações mais típicas de Parvati-Durga-Kali) e o memorial construído ao redor da pedra em que Vivekananda meditou durante dias ao final do séc XIX. Para ir lá pega-se uma balsa, que atravessa rapidamente as ondas um tanto altas. A água perto da costa é verdinha. Algo que não mencionei antes é que Kanyakumari talvez seja o lugar mais ventoso da Índia. Não escrevo isso por nenhuma informação obtida, mas pela própria sensação. O ruído do vento nos quartos do hotel, por exemplo, chegava a ser consideravelmente alto em alguns momentos, e permaneceu em toda duração das noites que passamos lá. Diz-se que aqui em Kanyakumari, o famoso e devastador Tsunami que chegou à India, Tailândia, Sri Lanka e outros países dessa parte da Ásia, entrou mais de 2km continente adentro, destruindo algumas construções à beira-mar (algumas das quais ainda estão sendo reconstruídas) e os barcos, matando cerca de 600 pessoas e trazendo consigo muitos peixes e outros animais junto com a onda, que chegou a cobrir a estátua do poeta (do qual não recordo o nome), segundo nos contaram.

Outra atração da ilhota do memorial, e embaixo deste, é a sala para meditação silenciosa no mantra cósmico Om, um lugar bastante especial e com uma energia muito boa.

Neste último dia aqui na pontinha do subcontinente ainda comprei alguns japa-malas de rudraksha. Coisa de que não sabia, quanto menores são as sementes, maior é o preço. Consegui comprar de um tamanho logo acima do menor por um preço bem negociado com o ambulante que vendeu.

Fomos ainda uma vez mais ao Saranavana para jantar, depois à internet, e depois dormir cedo, pois no dia seguinte iríamos pegar o trem das 5:30 para Kochin, ou Ernakulam Town, que é de onde escrevo agora.

Namastê, Kanyakumari.

Kanyakumari – 30.01

•January 30, 2010 • 2 Comments
Vim com Agi, Nanna, Eliza e Tiago para Kanyakumari, a terra da deusa virgem (Kanya = virgem e Kumari é o nome da deusa), no extremo sul, lugar de encontro de 3 braços de água: o Mar da Arábia, o Golfo de Bengala e o Oceano Índico.Viemos sacolejando por mais de 3 horas, apesar de a distância ser de apenas 90km, na minha segunda viagem de ônibus na Índia. Bem, o ônibus, assim como o que peguei em Cochim, é como qualquer ônibus urbano, e não desenvolve velocidade acima de 60km por hora. O trecho de estrada é acidentado, fora que é quase uma grande cidade contínua de Trivandrum até aqui, com poucos momentos de velocidade. Foi engraçada a reação de Agi, lá pelas tantas, ao perceber o estilo de direção do motorista, bem comum por aqui: ultrapassagens bizarras feitas mesmo em curvas, uma boa parte do tempo andando pela faixa do fluxo oposto (estrada de 2 pistas em todo o percurso) e, naturalmente, o uso extensivo e abundante da buzina tanto para os veículos a serem ultrapassados quanto para pedestres e veículos vindo na direção oposta. Eu, Tiago e Eliza, já com alguma experiência a mais de viagem de ônibus, viemos no banco da frente sossegados.
Chegamos à noitinha e ficamos esperando enquanto Tiago, juntamente com uma moça de Hong Kong que estava também no ônibus acompanhada de seu namorado nepalês, foi procurar hotel para ficarmos.
Desde já percebemos que Kanyakumari é um lugar pequeno e estávamos mesmo no centro. Já no hotel, pelo qual estamos pagando uma bagatela, comparando com o preço da estadia no Ayurvedic, tivemos uma experiência no mínimo bizarra com o atendente que nos ajudou a trazer as bagagens para cima. O homem primeiro se insinuou para Nanna (que só depois nos contou) enquanto Agi ainda não tinha chegado ao quarto, elogiando a beleza dela (ok, isso é fato) e perguntando se não poderia tocar os seios da menina. Depois, não contente, tentou de fato tocar nos seios da Eliza, muito mais safa que a doce e boa praça dinamarquesa, além de brasileira. Resultado é que fomos eu e Tiago à recepção pra botar um pouco o sujeito nos eixos, pelo menos com as meninas do nosso grupo, e a situação foi um pouco tensa (principalmente para ele, devo dizer) mas de uma certa forma, quase risível, devida à sem-vergonhice dele e ao pedido tosco de desculpas.
Acordei às 5:40 e fui chamar os outros para uma das grandes atrações do local: assistir ao nascer do sol no mar.
Outra das grandes atrações é assistir ao pôr do sol, também no mar. Segundo nos inteiramos, aqui é o único lugar no planeta onde isso é possível, fora de um navio em alto mar, é claro…
Antes do sol raiar
O astro dá o ar de sua graça

Mar de luz - encontro de 3 braços d´água

Subimos para o terraço do hotel, que tem uma torre especialmente para essa observação. Já desde a noite anterior havíamos percebido que esta pontinha da Índia é bem servida de fortes ventos assoviantes, e não estava diferente àquela hora da manhã. Assistimos ao aparecimento de nossa estrela nutridora protegidos por cobertores e chales, e tivemos que esperar um pouco para o astro aparecer, lá pelas tantas, saindo detrás de algumas nuvens no horizonte. As luzes que antecederam o aparecimento estavam incríveis, raios em tons quentes se espalhando pelo azul ainda escurecido do céu aberto. Depois de o sol já estar firme na abóbada voltamos cada qual para seu quarto e dormimos até quase 10h.

Depois de tomarmos banho, saímos para tomar um brunch que, no meu caso, acabou sendo um thali mesmo, em um restaurante na rua que vai dar no templo à beira-mar.
Depois, me separei do grupo por algum tempo para resolver a minha questão pessoal de postar minhas caixas de livros e algumas outras bugingangas no correio. Primeiro, passei num costureiro para ele fazer uma capa de tecido para o pacote. Como acontece muito, tinha um senhor local lá que puxou assunto comigo e ficamos proseando até a capa ficar pronta. Depois ainda tive que voltar ao hotel para pegar a caixa maior. No total, enviei 30 quilos de livros e alguns outros artigos, que deverão chegar ao Brasil possivelmente algum tempo após eu mesmo ter voltado.
Reencontrei a tchurminha e, numa rápida conferência, resolvemos ir à praia. Passamos no hotel para trocar de roupa e logo estávamos num ônibus local.
Água esverdeada e mais fresca que o mar que banha Kovalam, no Kerala, com algumas ondas que só quebram perto da arrebentação. Andamos um pouco pela orla, passando um local de depósito de barquinhos de pesca, com alguns pescadores trabalhando em confecção e remendo e redes. Subimos uma barreira artificial de pedras e fomos para um outro trecho de praia, que parecia mais sossegado. Logo apareceram alguns pescadores também. Tiago e eu caímos no mar, enquanto as meninas ficaram um pouco sem graça. Foi o tempo de sairmos para chegarem uns meninos arretados que logo perderam a cerimônia e ficaram posando pra fotos e pedindo coisas, dentre as quais canetas e mesmo dinheiro. Dei 2 das minhas canetas que tinha na mochila e guardei uma a duras penas, pois os moleques estavam descarados já querendo meter a mão dentro da mochila. Depois ficaram zanzando em volta do nosso grupo, correndo, rindo, pulando. Umas figuras… Tiago em certo momento cativou a atenção deles com alguns movimentos da sua capoeira, e ajudou mesmo os meninos a reproduzir um pouco as manobras. Foi bem divertido.

Molecada encapetada em Kanyakumari

Começo do pôr do sol

Salgado da água dos 3 mares

Nanna e o sol poente

E o barquinho vai

A lua estava no outro lado do céu

Mais um dia termina no subcontinente

PITTA EXTREMADO

•January 30, 2010 • 1 Comment
Apesar de todos os insights e possiveis considerações acerca das limitações do curso no Ayurvedic Health Care, a impressão no final do curso foi de tamanho desgosto e frustração pela falta de estrutura, coordenação e conteúdo, que gerou um forte sentimento de enganação. Eu, que já havia pago o curso do Brasil, primeiro decidi abdicar da segunda semana do curso – que seria intensivo – por alguns tratamentos a serem realizados na parte da tarde, e que afinal acabaram não acontecendo por uma desmotivação imensa tanto minha quanto dos responsáveis pelo funcionamento da clinica. Pedi um desconto no custo do quarto e refeições – a saber, caros e sem qualquer característica especial – primeiro à dra, Rheka, diretora do curso, como mais de uma vez se apresentou, e depois ao gerente Shiju. Ambos ficaram de transmitir minhas considerações ao dono, Vijay. As ultimas aulas – que cobriram quase tudo do programa que não foi dado no tempo estimado – foram sofríveis, já com o veneno do desgosto permeando as saulas de aula tanto na parte teórica quanto na prática. Naturalmente, eles me passaram uma posição negativa. Aqui na Índia é um ledo e colossal engano achar que pode haver restituição se o produto não está de acordo com o acordado. No país da fila indiana mais furada do planeta, quem abocanha o dinheiro não larga mais do osso…
Resultado é que tive uma altercação, primeiro com Shiju, gerente, que ameaçou reter a mim e minhas bagagens na clinica caso eu não pagasse. Depois, com o dono Vijay que, segundo Purnima – indiana morando no Canadá há anos e já trabalhando com estética, não é de fato doutor de nada, senão um homem de negócios atrás de seus dividendos. Falei com ele ao telefone, depois de mandar um email. Segundo ele, em resposta lida posteriormente, o fato de pleitear o desconto no último dia levava a crer que eu estivesse atrás de me dar bem, desconsiderando totalmente o fato de que paguei por um curso de 30 dias que não tive por total falta de estrutura e organização, responsabilidade dele de prover. Foi uma conversa rápida, ruidosa e violenta, pois ele começou já a falar comigo num tom agressivo. Não fiz por menos e repliquei despejando toda a minha frustração pela experiência mal-fadada de aprender Ayurveda na Índia. Ao final, apesar de ainda nervoso, por conta da alteração, me sentia muito melhor em relação aos funcionários da clínica, que, na minha opinião, estavam realmente preocupados em ter qualquer corte no seu salário se eu pagasse a menos do que o esperado. Pelo menos no ponto da contabilidade o sr. Vijay é organizadíssimo.

Kovalam Beach

•January 25, 2010 • 1 Comment
Aqui vão algumas fotos de Kovalam junto com a galerinha do curso. A praia de Kovalam fica a 16km da cidade de Trivandrum, aproximadamente 40 min indo de riquixá – a estrada não é lá essas coisas…
A água que banha a praia é a do Mar da Arábia – quentinha e clara. A praia eh limpa e segura, mas eh sempre bom não descuidar e ir muito pro fundo. Há salva-vidas, mas às vezes eles não estão prestando muuuita atenção.
Há bastante turistas mas os indianos e indianas frequentam, e sempre entram na praia de roupas (ou cuecas, no caso dos homens) e saris. É bem tranquila e o clima é bem gostoso.
A praia tem 2 trechos principais. Num deles há um calçadão com muitas lojinhas, restaurantes e pousadas à beira-mar. Compramos algumas roupas nas lojas, onde dá pra negociar um bom preço, e comemos num restaurante com especialidade de frutos do mar – naturalmente… Quer dizer, alguns do grupo comeram um peixe e eu e alguns outros comemos um macarrão com vegetais. Reggae tocando no salão, um gerente moleque animadíssimo, Akhbar, e um garçom idoso muito figura e bonzinho.
Um dia delicioso no litoral do Kerala!

O barquinho vai... Mar da Arábia!

Precauções indianas.

Agi praticando em Camila.

A familia vai à praia

Camila mostrando o que aprendeu

Ô delicia!
Chegando a criançada
E chegam as meninas, bem comportadas…

Camila, em momento delicado com os Baisabs-cuecão.

Ayurveda, agora sim

•January 23, 2010 • Leave a Comment
No sul da India o Ayurveda eh algo que as pessoas conhecem ou de que ouviram falar realmente. No norte, me parece que, com excessao de algumas cidades com tradicao de Yoga e espiritualidade, nao se fala tanto no assunto. Em Delhi, Mark, o amigo de Bimad, me disse que Ayurveda eh algo considerado como charlatanismo. Numa cidade grande como lah, impera mais o saber colonial – a natureza estah mais distante. Bem, aqui em Trivandrum ha uma quantidade bem significativa de clinicas, casas de massagem e farmacias ayurvedicas. Aqui cresce uma variedade enorme de ervas, especiarias e frutas, dentre os diversos ingredientes usados nas formulacoes ayurvedicas.
Aqui na clinica o vies de massagem que estamos aprendendo e praticando eh o terapeutico. Segundo os professores, a massagem deve ser realizada seguindo tais procedimentos para proporcionar um resultado melhor. A abhyanga daqui eh a massagem de 7 posicoes, sequencia utilizada tambem para algumas outras aplicacoes envolvendo oleos ou mesmo pos herbais para massagem. As 7 posicoes sao: sentado, decubito dorsal, de lado, dorsal, do outro lado, dorsal, sentado novamente. Nao eh a massagem mais relaxante do mundo, e na verdade nem eh pra ser necessariamente. A massagem ateh pode ser relaxante, mas primeiramente eh uma tecnica terapeutica para melhora em uma serie de doencas que visa a assimilacao dos componentes utilizados pela estimulacao do corpo de diversas maneiras.
Vou tentar aprofundar mais este assunto depois, falando tambem que impressoes estou tendo daqui, mais especificamente.
Por hora, vou mencionar os tipos de tratamentos que jah pratiquei e os produtos ayurvedicos que estou utilizando.
Comecamos no primeiro dia aprendendo massagem na cabeca, principalmente couro cabeludo. Depois foi massagem no rosto, massagem no corpo inteiro, pizhichil (banho de oleo), Shirodhara, patra pinda sweda (massagem com trouxinhas de ervas), massagem nos pontos marmas e aplicacao de oleo em lugares especificos como costas, peito e joelhos (procedimento conhecido genericamente como Vasti).
Agora, os produtos que estou usando…
Balsamo labial, pasta de dentes e sabonete da Himalaya, uma marca excelente;
Lip BalmDental CreamNeem & Turmeric Soap
Xarope de amla (uma frutinha anti-oxidante e riquissima em vitamina C), no cafeh da manha;
Jeevani, um granulado com poder rejuvenescedor fisico e mental que tambem atua como agente imunizante e com efeito anti-fadiga;
Jothish Brahmi, uma pasta herbal da marca Ashtavaidya com qualidades de potencializador da memoria e inteligencia, alem de atuar positivamente no sistema nervoso como um todo;
ashtavaidya
Chyawanprash, pasta vitalizante e boa para a imunidade, digestao e forca;
Anuloman, um comprimido herbal regulador das funcoes intestinais, que em mim estao um pouco fracas devido ao Vata agravado por toda a movimentacao que estah rolando aliada `a secura do ambiente.